Prática clínica
Como fazer um plano alimentar que o paciente consegue seguir
Equipa beryvo · · 7 min de leitura
Um plano alimentar pode estar nutricionalmente perfeito e falhar na primeira semana, porque não cabe no horário do paciente, usa alimentos que ele não compra ou pede uma mudança grande demais de uma só vez. Fazer um bom plano é tanto sobre a vida do paciente como sobre os números.
1. Comece pela avaliação, não pelo plano
Antes de escrever uma refeição, precisa de saber como é o dia do paciente: horários de trabalho e de sono, quem cozinha, onde come ao almoço, o que costuma comprar, o que não come de todo, o orçamento e o que já tentou antes. Junte a história clínica, as análises, a medicação e a antropometria.
2. Defina o objetivo energético
Estime a taxa metabólica basal com uma equação preditiva, multiplique pelo fator de atividade e ajuste ao objetivo. O valor é um ponto de partida, a confirmar pela evolução nas semanas seguintes.
3. Distribua os macronutrientes
Para adultos saudáveis, os intervalos de referência mais citados são 10 a 35% da energia a partir da proteína, 45 a 65% dos hidratos de carbono e 20 a 35% da gordura. Dentro destes intervalos, ajuste ao objetivo, à atividade física e às preferências: é mais fácil cumprir um plano que respeita a forma como o paciente gosta de comer.
4. Reparta pelas refeições que o paciente já faz
O número de refeições deve seguir a rotina, não uma regra fixa. Se o paciente nunca tem fome de manhã, forçar um pequeno-almoço grande é pedir para falhar. Comece pelas refeições que ele já faz e ajuste o que tem mais impacto.
5. Escreva em medidas caseiras
«2 fatias de pão» é mais fácil de seguir do que «60 g de pão». Use medidas caseiras sempre que possível e deixe as gramas entre parênteses para quem quiser pesar.
6. Dê opções e equivalências
Três ou quatro opções de pequeno-almoço e listas de equivalências (trocar o arroz por massa ou batata na quantidade certa) dão ao paciente margem para os dias imprevistos, sem sair do plano. A rigidez é uma das causas mais frequentes de abandono.
7. Junte o que ajuda a cumprir
- Receitas simples para as refeições principais.
- Lista de compras gerada a partir do plano.
- Indicações para comer fora e para os fins de semana.
- Suplementação, se aplicável, com dose e duração.
Erros comuns
- Mudar tudo de uma vez, em vez de duas ou três mudanças por consulta.
- Usar alimentos que o paciente não conhece ou não encontra no supermercado.
- Ignorar horários de trabalho por turnos, filhos pequenos ou refeições fora.
- Entregar o plano e só voltar a falar dele na consulta seguinte.
Reveja na consulta seguinte
O primeiro plano é uma hipótese. Pergunte o que foi fácil, o que ficou por fazer e porquê. Um diário alimentar, mesmo simples, mostra onde o plano e a vida real não encaixam.
Na beryvo, o plano faz-se com a tabela do INSA e medidas caseiras, com opções por refeição, equivalências, receitas, suplementos e lista de compras. O paciente vê-o na app e marca no diário se o seguiu.
Fontes
- Institute of Medicine. Dietary Reference Intakes for energy, carbohydrate, fiber, fat, fatty acids, cholesterol, protein, and amino acids. Washington, DC: National Academies Press; 2005.