Prática clínica

Bioimpedância na consulta: como medir bem e interpretar os resultados

Equipa beryvo · · 6 min de leitura

A bioimpedância é o método mais usado nos consultórios para estimar a composição corporal: é rápida, não invasiva e o paciente gosta de ver os números. O problema é que esses números dependem muito das condições da medição, e uma variação de um ou dois pontos de massa gorda pode não querer dizer nada.

Como funciona

O aparelho faz passar uma corrente elétrica muito fraca pelo corpo e mede a oposição que ela encontra (a impedância). Os tecidos com muita água e eletrólitos, como o músculo, conduzem bem; a gordura conduz mal. A partir da impedância, do peso, da altura, da idade e do sexo, o aparelho estima a água corporal e, com equações próprias de cada fabricante, calcula a massa magra e a massa gorda.

Ou seja: a bioimpedância não mede a gordura diretamente. Mede uma propriedade elétrica e estima o resto. Por isso, tudo o que mexe com a água do corpo mexe com o resultado.

Antes da medição

  • Sempre à mesma hora do dia e com o mesmo intervalo desde a última refeição (em jejum, idealmente).
  • Bexiga vazia.
  • Sem exercício intenso nem álcool nas horas anteriores.
  • Sem objetos metálicos e, nos aparelhos de pés, com os pés limpos e secos sobre os elétrodos.
  • Nas mulheres, ter em conta a fase do ciclo menstrual, que altera a retenção de líquidos.

Não se recomenda a medição em pessoas com pacemaker ou desfibrilhador implantado, e as equações não estão validadas na gravidez.

O que cada número quer dizer

ParâmetroO que éComo usar
Massa gorda (% e kg)Estimativa a partir da massa magraAcompanhar a tendência, não o valor de um dia
Massa magra e massa muscularTudo o que não é gordura (músculo, osso, água, órgãos)Ver se se mantém durante a perda de peso
Água corporal totalEstimada diretamente a partir da impedânciaAjuda a perceber variações bruscas
Ângulo de faseRelação entre resistência e reactânciaMarcador da integridade celular e do estado nutricional

O ângulo de fase tem ganho espaço na prática clínica: valores baixos estão associados a desnutrição e a pior prognóstico em várias doenças. Em adultos saudáveis costuma situar-se entre 5 e 7 graus, mas os valores de referência dependem da idade, do sexo e do IMC, por isso compare sempre com tabelas adequadas ao paciente.

Os limites do método

  • Edema, desidratação ou ascite distorcem os resultados.
  • Em IMC muito altos ou muito baixos, as equações perdem precisão.
  • Cada aparelho usa as suas equações: compare sempre medições feitas no mesmo aparelho.
  • Variações pequenas entre consultas podem estar dentro do erro da medição.

Na prática

Use a bioimpedância para acompanhar a tendência ao longo de semanas, nunca como medida isolada. Junte-lhe o peso, o perímetro da cintura e, quando possível, a força de preensão. Se a massa magra desce enquanto o peso cai, é sinal para rever a proteína e o treino de força.

Na beryvo, regista a massa gorda e a massa muscular de cada medição na ficha, ao lado do peso e da cintura, e vê a evolução em gráficos.

Fontes

  1. Kyle UG, Bosaeus I, De Lorenzo AD, et al. Bioelectrical impedance analysis, part I: review of principles and methods. Clin Nutr. 2004;23(5):1226-43.
  2. Kyle UG, Bosaeus I, De Lorenzo AD, et al. Bioelectrical impedance analysis, part II: utilization in clinical practice. Clin Nutr. 2004;23(6):1430-53.
  3. Lukaski HC, Kyle UG, Kondrup J. Assessment of adult malnutrition and prognosis with bioelectrical impedance analysis: phase angle and impedance ratio. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2017;20(5):330-9.

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