Recomendações

Diversificação alimentar: quando começar e como orientar os pais

Equipa beryvo · · 6 min de leitura

A diversificação alimentar é uma das fases que mais dúvidas traz aos pais, e as recomendações mudaram nos últimos anos, sobretudo em relação aos alimentos alergénicos. Um resumo do que dizem a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a ESPGHAN, a sociedade europeia de gastrenterologia, hepatologia e nutrição pediátrica.

Quando começar

A OMS e a DGS recomendam aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses. A ESPGHAN indica que a diversificação não deve começar antes das 17 semanas (4 meses) nem depois das 26 semanas (6 meses). Mais do que a idade exata, contam os sinais de prontidão:

  • Segura bem a cabeça e senta-se com apoio.
  • Mostra interesse pela comida dos outros.
  • Já não empurra a colher com a língua (perdeu o reflexo de extrusão).
  • Consegue levar objetos à boca.

Por onde começar

Em Portugal é habitual começar pelo creme de legumes, a que se juntam depois a fruta, os cereais, a carne, o peixe, o ovo e as leguminosas. A ordem exata importa menos do que introduzir um alimento novo de cada vez, com uns dias de intervalo, para perceber se é bem tolerado.

Por volta dos 6 meses, as reservas de ferro do bebé começam a esgotar-se. Carne, peixe, ovo e leguminosas devem entrar cedo e com regularidade.

Alergénios: não adiar

A evidência atual não apoia adiar alimentos alergénicos como o ovo, o peixe, o trigo ou o amendoim (em pasta, nunca inteiro). Devem entrar durante a diversificação, um de cada vez. Em bebés com eczema grave ou alergia já diagnosticada, a introdução deve ser orientada pelo médico.

O que evitar no primeiro ano

  • Sal e açúcar adicionados.
  • Mel, pelo risco de botulismo.
  • Leite de vaca como bebida principal (pode entrar em pequenas quantidades na confeção).
  • Sumos, mesmo naturais: a fruta inteira é melhor.
  • Alimentos com risco de asfixia: uvas e tomate-cereja inteiros, frutos secos inteiros, pedaços duros.

Texturas

A textura deve evoluir: do puré para o esmagado e depois para pedaços moles que o bebé consegue pegar. Adiar os pedaços para lá dos 9 a 10 meses está associado a mais dificuldades alimentares mais tarde. A introdução guiada pelo bebé (BLW) é uma opção, desde que os pais garantam alimentos ricos em ferro e evitem os que têm risco de asfixia.

Quando o bebé recusa

É normal recusar um alimento novo. Muitas vezes são precisas várias exposições, oito a dez, até o bebé o aceitar. Vale a pena dizer isto aos pais logo na primeira consulta, para não desistirem ao segundo dia.

Na beryvo, pode entregar aos pais um plano com as refeições e as indicações por escrito, e responder às dúvidas por mensagens na app, sem usar o seu número pessoal.

Fontes

  1. Direção-Geral da Saúde. Alimentação saudável dos 0 aos 6 anos: linhas de orientação para profissionais e educadores. Lisboa: DGS; 2019.
  2. Fewtrell M, Bronsky J, Campoy C, et al. Complementary feeding: a position paper by the ESPGHAN Committee on Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2017;64(1):119-32.
  3. World Health Organization. Guiding principles for complementary feeding of the breastfed child. Washington, DC: PAHO/WHO; 2003.

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