Prática clínica
Rastreio nutricional: MUST, MNA e NRS 2002, qual usar
Equipa beryvo · · 6 min de leitura
A desnutrição passa muitas vezes despercebida, sobretudo em idosos e em pessoas com doença crónica, e está associada a mais complicações, internamentos mais longos e pior recuperação. As ferramentas de rastreio servem para identificar, em poucos minutos, quem precisa de uma avaliação nutricional completa.
MUST
O Malnutrition Universal Screening Tool foi desenvolvido pela BAPEN para adultos na comunidade e no hospital. Soma três critérios:
- IMC (mais de 20 = 0 pontos; 18,5 a 20 = 1 ponto; menos de 18,5 = 2 pontos).
- Perda de peso não intencional nos últimos 3 a 6 meses (menos de 5% = 0; 5 a 10% = 1; mais de 10% = 2).
- Efeito de doença aguda: sem ingestão alimentar, ou provavelmente sem ingestão, durante mais de 5 dias = 2 pontos.
Total 0: risco baixo. Total 1: risco médio, a vigiar. Total 2 ou mais: risco alto, com intervenção nutricional.
MNA de forma curta
O Mini Nutritional Assessment, na forma curta (MNA-SF), foi validado para pessoas com 65 ou mais anos. Tem seis perguntas: diminuição da ingestão, perda de peso, mobilidade, doença aguda ou stress psicológico, problemas neuropsicológicos e IMC (ou perímetro da perna, quando não é possível pesar). A pontuação vai de 0 a 14: 12 a 14 é estado nutricional normal, 8 a 11 é risco de desnutrição e 0 a 7 indica desnutrição.
NRS 2002
O Nutritional Risk Screening 2002, recomendado pela ESPEN para doentes internados, combina o estado nutricional (perda de peso, IMC, ingestão) com a gravidade da doença, e junta um ponto a quem tem 70 ou mais anos. Uma pontuação total de 3 ou mais indica risco nutricional e necessidade de um plano de intervenção.
Qual usar
| Contexto | Ferramenta mais usada |
|---|---|
| Consulta e comunidade, adultos | MUST |
| Idosos (65 anos ou mais), lares e domicílio | MNA-SF |
| Doentes internados | NRS 2002 |
O rastreio não substitui a avaliação. Um resultado de risco deve levar a uma avaliação completa: história alimentar, antropometria, análises e, quando possível, força muscular.
Na beryvo, pode registar o rastreio e as medições na ficha, e acompanhar a evolução do peso e da ingestão em gráficos e no diário alimentar.
Fontes
- Elia M. The «MUST» report. BAPEN; 2003.
- Kaiser MJ, et al. Validation of the Mini Nutritional Assessment short-form (MNA-SF). J Nutr Health Aging. 2009;13(9):782-8.
- Kondrup J, et al. ESPEN guidelines for nutrition screening 2002. Clin Nutr. 2003;22(4):415-21.